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Infinito e além

O Cidadanize-se é um movimento voluntário que surgiu em 2012 com quatro objetivos:

  1. Fornecer aos cidadãos informação isenta e fidedigna sobre os pontos de coleta seletiva em Salvador;

  2. Estimular a prática da reciclagem;

  3. Estimular o exercício da cidadania;

  4. Exercer o controle social e o acompanhamento das políticas públicas ligadas à gestão de resíduos na cidade.

De 2012 para 2015 muita coisa mudou, e outras coisas não mudaram nada: eram 22 pontos de entrega voluntária (PEVs) de materiais quando começamos, esses pontos encolheram para 6 em julho de 2015 e agora voltamos, finalmente, a ter alguns pontos de coleta por aqui. Inicialmente 50. A meta da prefeitura eram 100 até o final do ano passado, ganhamos 50 dos 100 prometidos, e com 8 meses de atraso. Estamos felizinhos, vai ser mais fácil para muita gente reciclar e, por isso, UFA! Mas seria legal ver a prefeitura cumprindo os seus prazos, só para variar. Imagina 200 PEVs até o final de 2015?

Sr. Raimundo já começou a reciclar lá na Pituba. Matéria muito legal do Jornal A Tarde sobre o assunto ~> http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1709570-coleta-seletiva-ja-tem-50-pontos-em-salvador   Foto: Luciano da Matta, Agência A Tarde

Sr. Raimundo já começou a reciclar lá na Pituba. Matéria muito legal do Jornal A Tarde sobre o assunto ~> http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1709570-coleta-seletiva-ja-tem-50-pontos-em-salvador
Foto: Luciano da Matta, Agência A Tarde

Ainda dentro do Programa Coleta Seletiva Salvador, a prefeitura lançou também um aplicativo para smartphones Android e iOS. Baixando o app você pode encontrar os PEVs da prefeitura e outros locais de entrega de recicláveis, tudo bem parecidinho com o Cidadanize-se.

O app está legal. É bom ver que a prefeitura tem pegado as experiências exitosas dos cidadãos e replicado – fizeram um curso de Jardinagem Itinerante bem parecido ao Movimento Canteiros Coletivos, o Projeto Música no Ponto igualzinho ao que fazia o pessoal da Banda Homens de Bem… -, afinal, é ela, a prefeitura, quem tem o domínio de certas informações e, definitivamente, tem acesso a recursos também. No final, o Cidadanize-se queria isso, que os cidadãos tivessem acesso à informação de modo a serem estimulados a praticar a reciclagem. Baixem o app, gente, e cidadanizem-se!

E vamos em frente, para o infinito e além! O Cidadanize-se já está sendo atualizado com esses primeiros 50 PEVs – é mais lentinho, o nosso trabalho continua voluntário -, mas precisamos de todo mundo para nos dizer se estão funcionando mesmo, e estamos checando com a prefeitura e com as cooperativas como está funcionando essa logística: como estão chegando estes materiais para as cooperativas? Afinal, a info tem que ser isenta e fidedigna, não é?

Estamos preparando um monte de surpresas de mapeamento que precisamos na nossa cidade e uma reformulação do Cidadanize-se, e vamos continuar observando, compartilhando informações, sendo cidadãos e correndo atrás para uma cidade melhor!

E Cidadanize-se!

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De amor e limites

Recentemente li o livro Crianças Francesas Não Fazem Manha, de Pamela Druckerman. Ainda não tenho filhos, mas, sei lá, vamos sabendo como é esse negócio de educar, não é? Educar crianças, educar adultos, educar animais, educar pessoas… Tudo muito a mesma coisa, eu acho. Guardadas algumas ressalvas (bem poucas), não vejo muita diferença entre esse livro, aquele programa de babás que são chamadas para educar nossos filhos “descontrolados”, aquele outro do encantador de cães, aquele de *adolescentes-problema*, aquele das crianças que comem mal… A receita é sempre mais ou menos a mesma: Amor + limite. No livro de Druckerman esse limite é chamado de cadre, que significa moldura em francês. Seu filho pode ser livre, e até cometer algumas pequenas teimosias, mas dentro de determinada moldura. Limite. Cesar Millan, o fofo encantador de cães, diz tudo o que o cãozinho precisa: carinho, brincar, correr, espaço, gastar energia, mais carinho, afago, correr… E limite. Você, dono do cãozinho, tem que demonstrar que é o líder do bando do qual ele faz parte. A super babá, igual: brinque com seu filho, ame a afague, faça o dever com ele, mas a hora de dormir, de comer, de estudar é lei. Limite, pessoal. Sem mas-mas. E, se não, pegue o seu banquinho e vá curtir um castiguinho.

Sabe o que mais? Com a gestão pública é a mesma coisa. O cidadão precisa de espaços públicos, transporte público, respeito, escola pública, limpeza urbana, etc. Quer dizer, o cidadão precisa de amor. E limites.

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Depois de muitos anos pulando de poleiro em poleiro, pagando pacote de seis meses de academia e não frequentando, relinchando antes de me fantasiar de marombeira e sair batendo o pé e mal humorada de casa para apenas atravessar a rua e ir pegar peso, me encontrei fazendo exercício funcional na praia. Três vezes por semana pego minha bicicleta – e a ginástica já começa com colocar ela sozinha no elevador para descer os 8 andares, porque não tem bicicletário no prédio -, pedalo em torno de 1,5km me impondo em frente a carros e ônibus, no maior orgulho. Sempre me encanto quando chego ao Cristo e avisto, lá embaixo, o Farol da Barra. Lá perto do Farol amarro minha bicicleta, ironicamente, no sensor de controle de velocidade de carros da nova orla da Barra (adoro) e desço a escadinha para encontrar com a tchurma.

Paro no topo da escada, olho o horizonte e suspiro: QUE CHEIRO DE MIJO É ESSE, MINHA GENTE?! Cof, cof, cof.

Adoro malhar na praia, mas, honestamente… (a seguir, imagem forte – pela péssima qualidade da captura também)

O mais bonitinho é quando os ratinhos vêm passear

O mais bonitinho é quando os ratinhos vêm passear

 

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Desde 27 de novembro de 2014, entrando em vigor já no dia seguinte, o prefeito Netinho assinou um decreto dizendo que seria multado quem jogasse lixo no chão ou “demarcasse território” nos muros da cidade. Nos primeiros 60 dias não haveria multa, apenas ação educativa. Meio como aquela contagem de mãe, quando ela chama e a gente grita “tô iiiiiiiindo” uma trocentas vezes. Aí ela zanga e diz: “vou contar até três, hein?! Uuuuuuuum! Doooooooois! (…)”. Prefeito, eu esperaria que a gente já estivesse no dois-quase-três. Queria mesmo que os 60 dias de teste tivessem acabando (28 de janeiro está aí!), que eu tivesse visto várias notícias de guarda municipal dando advertências pelas ruas, praias e avenidas, com ampla divulgação pela mídia. A isso poderíamos chamar de ação educativa. Assinar um decreto em novembro e esperar os 60 dias acabarem sem ninguém ouvir falar no assunto não pode ser exatamente chamado de ação educativa. A foto acima, da praia numa segunda-feira (dia 19/01/2015) à noite mostra isso: só propaganda bonita na tv e jornal não é “ação educativa”, é gasto com propaganda, mesmo.

guarda municipal praia RJ 2

Vai jogar frescobol na beira da praia? Salãozinho? Vai deixar seu lixinho por aqui? Olhe o dedinho: na na ni na não!
(Foto: http://policiamunicipal24horasgm.blogspot.com.br/2012/03/choque-de-ordem-apreende-13-kg-de.html)

A gente sempre diz, repete, trepete até: a responsabilidade do poder público de lhe dar amor em forma de lixeiras (que, convenhamos, nem na areia da praia deveriam ficar), não lhe exime da sua responsabilidade em levar a sua produção de resíduo até o local de descarte mais próximo – ainda que este local seja a sua humilde residência. A recíproca é verdadeira: é responsabilidade do poder público fornecer meios para o descarte correto de resíduos – com reciclagem, inclusão de cooperativas e etc. Essa responsabilidade da prefeitura não desaparece se você levar o seu lixinho para casa e deixar a praia linda pra você mesmo curtir no domingo – ou para eu poder fazer o meu exercício na segunda-feira, dá essa forcinha aê! E a prefeitura, essa *mãe*, tem responsabilidade também de nos dar limites, moldura, em forma de fiscalização e, se desobedecer, multa e castigo.

Ser cidadão é isso: exercer sua liberdade, dentro dos limites da moldura da convivência.

Prefeitura, estamos ansiosos por uma cidade limpa. No Rio tem o GEP – Grupamento Especial de Praia da Guarda Municipal do Rio, fiscalizando tudo o que não pode fazer na praia por lá (e é bastante coisa!). Pode botar uns guardinhas desses passeando pela praia. A mulherada tchurma vai agradecer a limpeza.

E Cidadanize-se!

Coleta de resíduos eletrônicos

A boa nova é que a Cooperativa CAMAPET (endereço no facebook aqui), além dos tradicionais resíduos que já coletava – papel, papelão, plásticos, metal, óleo de cozinha – passa agora a fazer coleta também de resíduos eletrônicos.

Uma coisa que eu achei interessante depois que comecei a alimentar o Cidadanize-se é que, apesar de serem em menor volume do que as nossas embalagens de cada dia, as pessoas sempre têm uma maior sensação de responsabilidade pelos seus resíduos eletrônicos – pilhas são as campeãs, seguidas no encalço por celulares e suas baterias e lâmpadas. É interessante porque eu mesma sempre me preocupei com o que me gera MAIS resíduo, embora entenda uma maior ansiedade das pessoas com o que pode ser considerado o pior resíduo, ou seja, o resíduo tóxico (escrevi sobre isso aqui). Isso, claro, não significa  que não descarto corretamente meus resíduos tóxicos. Significa apenas que não me preocupei em disponibilizar esses pontos de coleta num primeiro momento.

Ops! O resíduo seco aqui de casa.

Ops! O resíduo seco aqui de casa.

Mas, voltando à boa nova, a Camapet está aí, recebendo tudo isso e muito mais aqui nesse endereço. Por resíduos eletrônicos entenda-se equipamentos de informática e eletro-eletrônicos (incluindo celular e suas bateriais). Infelizmente, não inclua aí na sua cestinha de resíduos as pilhas e as lâmpadas. Esta é uma outra história, e terá que ser contada em outra ocasião.

A Camapet também vai fazer coleta itinerante com 20 caixas coletoras que serão disponibilizadas em algumas organizações por tempo limitado, mas serão de acesso exclusivo a estas empresas.

Ficamos na torcida para que iniciativas de destinação correta de resíduos só aumentem.

E Cidadanize-se!

 

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Cidadanize-se: entrevista à Rádio CBN Salvador

Hoje de manhã o Cidadanize-se foi entrevistado pela rádio CBN Salvador. O assunto da matéria era o prazo para o fim dos Lixões pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, e nós falamos de como a gente pode começar a ajudar desde nossas casas.

Ouça e Cidadanize-se!

 

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Jogando o resíduo para debaixo do tapete, ops!, da terra.

Saiu no Jornal Correio* de ontem (30/07/14) uma matéria sobre as lixeiras com contêineres subterrâneos que estão sendo instalados na Barra por iniciativa da Prefeitura de Salvador. Essas lixeiras não têm fundo, o resíduo cai direto nos grandes latões de lixo que ficam debaixo do chão e de onde o material só pode ser coletado por um caminhão adaptado com uma grua.

Na Barra serão três marcos, como eles chamam cada uma das lixeiras, funcionando em breve, duas para resíduos úmidos (não recicláveis) e uma para resíduos secos (recicláveis). Até setembro haverá mais alguns equipamentos instalados no Mercado Modelo, e a meta é instalar 20 em diferentes pontos da cidade até o final de 2015.  A ideia é que o sistema seja implementado na orla e em pontos turísticos da cidade.

As lixeiras, ou marcos, sendo instaladas na Barra. Foto: Evandro Veiga (Correio*)

As lixeiras, ou marcos, sendo instaladas na Barra. Foto: Evandro Veiga (Correio*)

A minha primeira reação foi: é… Já vi isso em outros lugares. Tem na Espanha. No Rio também. Poderia ser uma ideia interessante, afinal, não há como se negar que, estética e higienicamente, é legal. O resíduo não fica espalhado pela calçada, não atrapalha os transeuntes, evita o mau cheiro e a atração de animais (faço exercício na praia à noite e o que vejo de ratos {ratões!} todos os dias…). Tem pontos positivos.

Na Espanha é assim. Mas eles não têm catadores nem cooperativas por lá...

Na Espanha é assim. Mas eles não têm catadores nem cooperativas por lá…

Mas o que me chamou a atenção na própria matéria do jornal, e despertou a desconfiança, foi a ressalva de que essa medida também mantém distantes dos resíduos os catadores de materiais recicláveis. E, na implementação de políticas públicas, não podemos desconsiderar as especificidades sócio-econômicas da região em que estamos inseridos. Pelo contrário: embora, na prática, não esteja funcionando exatamente assim, as políticas públicas devem servir, justamente, para eliminar os problemas sócio-econômicos, e não agravá-los. Então passemos à análise.

Em uma conversa informal com uma colega que faz parte do Fórum Pró Cidadania, ela mencionou que, só na área da comunidade de Nova República, atrás do Parque da Cidade, há em torno de 3.000 catadores independentes. Três mil! Eles coletam pelas ruas na região da Pituba, Brotas e Itaigara. Imagina quanto de resíduos recicláveis eles são responsáveis por tirar das ruas todos os dias? Imagina quantas famílias estão sendo sustentadas por esses resíduos? Imagina quanto deste resíduo está, efetivamente, voltando para a cadeia produtiva, se transformando em novas embalagens e novos produtos, contribuindo para o não agravamento de questões ambientais? Os catadores contribuem com a coleta (que é responsabilidade da Prefeitura), resolvem (ou amenizam) a sua situação de vulnerabilidade social, e ainda contribuem na solução de questões ambientais graves.

Agora imagina se estivesse tudo fechado, trancado debaixo da terra, esperando chegar um caminhão adaptado com uma grua para coletar?

Com isso não estou querendo desmerecer uma iniciativa legal de prezar pela limpeza das ruas, mas ações assim não podem vir dissociadas da realidade local. E a realidade local é que temos uma legião de pessoas (3.000 apenas em uma pequeníssima região da cidade de Salvador) que sobrevivem de coletar material reciclável na rua. É o ideal que eles permaneçam assim? Não. Mas esta alternativa de contêineres subterrâneos prevê qualquer tipo de inclusão de catadores/cooperativas?

Bom, de acordo com a matéria, a Limpurb alega que o material seco (reciclável) coletado vai para as cooperativas. O que se sabe é que as empresas que coletam os resíduos em Salvador recebem duas vezes por um mesmo lixo coletado: pela tonelada do resíduo coletada na rua + pela tonelada do resíduo aterrada (despejada em aterro sanitário). Ou seja, por aquele mesmo saco de lixo que você tirou da lixeira, a empresa recebe um valor R$ X quando ela coleta na frente do seu prédio e MAIS um valor R$ Y quando esse resíduo chega ao aterro. Então por que eles entregariam esses materiais às cooperativas? Isso significaria deixar de receber uma parte do que costumam receber pela limpeza urbana da cidade. Considere-se, ainda, que são as próprias empresas do consórcio de limpeza urbana que investirão tanto na instalação dos equipamentos subterrâneos, quanto na compra dos caminhões adaptados com gruas.

Algumas cooperativas de catadores já têm uma estrutura de coleta, caminhões e galpões de triagem, etc. Mas a coleta dos contêineres subterrâneos só pode ser feita por esses caminhões especiais adaptados com gruas. As cooperativas já têm bastante dificuldade em adquirir caminhões de coleta mais simples, e não recebem nada pela coleta, recebem apenas pela venda do material reciclável (o que não é lá muito dinheiro…). Então, como elas seriam inseridas neste modelo?

Até onde tenho notícia, o resíduo que chega às cooperativas atualmente tem origem:

- No esforço dos cooperados em catar nas ruas;

- No uso de caminhões que a Limpurb disponibiliza, divididos entre as diversas cooperativas para fazer coleta porta a porta em diferentes dias da semana (atualmente são 19 cooperativas em Salvador);

- No uso de caminhões que as próprias cooperativas adquirem ou recebem através de programas de doações / emendas parlamentares / financiamento pelo BNDES e outras formas de aquisição.

Não tenho conhecimento de material chegando às cooperativas através de caminhões das empresas do consórcio de limpeza urbana – inclusive porque estes caminhões não separam resíduos.

E o caminhão adaptado com a grua terá compartimentos separados? Compactará o material, dificultando o processo de separação para reciclagem? São tantas questões…

Então, será que vale a pena jogar o nosso lixo para debaixo do tapete da terra?

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Sobre o dia da reciclagem e a promessa de um PEV

Dia 17 de maio foi o dia da reciclagem.

Eu não entendo muito bem para que servem determinadas efemérides (dia do administrador, dia do contador, dia do médico, dia do teto de gesso, dia do ar-condicionado, dia doZZZzzzz…).

Bom, dia 17 de maio é dia da reciclagem, e mesmo não entendendo bem para que servem determinadas efemérides, nestas oportunidades duas coisas podem ser feitas: 1. mandar parabéns para o celebrado (?), ou 2. promover ações que reforcem a ideia em questão e lhe deem visibilidade. Ok. Mas aí tem aquele determinado dia do ano em que a gente apaga a luz às 20h em ponto, ninguém de fato apaga luz nenhuma, faz-se uma rebuliço em torno disso e, os outros 364 dias do ano, as lâmpadas seguem acesas durante muitas horas. Particularmente, eu prefiro atentar para as lâmpadas todos os 365 dias do ano e, neste dia específico, estar bem relaxada com a minha vigilância constante.

Mas, de novo, dia 17 de maio é o dia *internacional* da reciclagem e a Ambev, a Braskem e a Secretaria da Cidade Sustentável de Salvador promoveram a Reciclagem Premiada: nos dias 16, 17 e 18 de maio, no Parque da Cidade (Itaigara), levando 15 embalagens de plástico, você ganhava um guaraná antárctica de 2 litros. Se fossem coletadas 15.000 embalagens no total, a cidade seria “presenteada” com um ponto de entrega voluntária de resíduos recicláveis (o nosso amigo PEV).

Haja embalagem, Brasil!

Haja embalagem, Brasil!

Ultrapassamos a incrível marca de 69.000 embalagens entregues  (4.600 guaranás antarctica distribuídos. Uau.), o que significa que seremos contemplados com um PEV, que ficará instalado no próprio Parque da Cidade e que terá como responsável a Canore, uma cooperativa de recicláveis que nasceu ali pertinho, na comunidade de Santa Cruz. De acordo com Jô, representante da cooperativa que estava no local na hora que eu fui levar as minhas garrafinhas, o ponto mesmo ainda não tem prazo de instalação. Deve vir no segundo semestre e haverá toda uma solenidade em torno da sua inauguração. Espero falarmos disso por aqui em breve.

Eu acho importante a ação da iniciativa privada no que se refere à reciclagem. Mas, veja bem, não é bem o que eu, você ou a prefeitura acha importante sobre o que a iniciativa privada faz, é a responsabilidade deles sobre a embalagem que eles usam para comercializar o seu produto e que, depois, fica por aí. Ao disponibilizar um PEV eles não fazem mais do que a obrigação deles, que é recolher de volta o que soltam no mercado. E não sou eu quem diz, é a lei. É isso que batemos na tecla aqui: é a logística reversa.

Notem que, ao tomar de volta as embalagens que eles mesmos haviam “emprestado”, foram mais 4.600 garrafas de 2 litros que estão aí, de novo, sem ter para onde voltar.

Os meninos que vão saborear o guaraná que ganhei, mas ainda não têm PEV para deixar essa embalagem aí.

Os meninos que vão saborear o guaraná que ganhei, mas ainda não têm PEV para deixar essa embalagem aí.

Ok, sem radicalismos. Não vivemos (mais) sem embalagens e o fato de que todas as embalagens de guaraná antárctica já são feitas de plástico reciclado é muito bom. Muito bom, mesmo. Mas não temos que agradecer e aplaudir de pé  - embora não nos custe reconhecer que “ah, legal. Alguém está fazendo o seu trabalho”.

Mas e aí? E como ficam as coisas daí para adiante? A instalação do PEV não foi imediata (e, cá entre nós, por que não? Se não batêssemos a “meta” das 15.000 garrafas não iria ter PEV? Será? Por que já não estava tudo justo e preparado para, na marca das 15.000 embalagens, festa, confetes, serpentinas e PEV para a gente?), a instalação não foi imediata, e como fica aquilo que realmente importaria nesta efeméride: a centelha de educação sócio-ambiental para que não acontecesse o que a gente vê nas ruas, na praia, nas casas: milhares de resíduos recicláveis sendo descartados inadequadamente e indo para os lixões, catadores tendo que fuçar nas lixeiras à procura dos recicláveis, com renda muito inferior àquela que poderiam ter caso todos nós soubéssemos o que fazer, como fazer e para onde levar, como fica tudo isso?

E a gente segue esperando os 100 PEVs que são meta de instalação para o ano de 2014 de acordo com o Planejamento Estratégico da Prefeitura de Salvador.

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O lixo e a multa

Saiu hoje a notícia de que Porto Alegre começou a multar quem joga lixo no chão.

Veja bem: saiu hoje a notícia de que Porto Alegre passará a multar quem joga lixo no chão, que imagens de câmera poderão ser usadas como provas,  que o valor das multas vai de infração leve (R$ 263, aquela bituquinha de cigarro e o chiclete) a infração gravíssima (R$ 4.221, entulho, materiais cortantes ou pontiagudos, etc), saiu um telefone e um site para denúncias, saiu que os agentes de fiscalização se concentrarão no Centro Histórico, a princípio, e que contarão com o apoio da guarda municipal e agentes de fiscalização de diversos órgãos, etc. Saiu muita informação. Melhor ainda, saiu que a multa por jogar lixo no chão integra as regras do novo Código Municipal de Limpeza Urbana, também conhecido como Plano Municipal de Resíduos Sólidos, que, de acordo com a prefeitura, atende às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Mas vamos falar de coisa ruim? Vamos falar de Salvador.  Desde outubro de 2013, junto com a moda da aprovação de uma lei similar no Rio, já foi aprovada uma coisa assim aqui por estas latitudes. Por lá, parece que a coisa funcionou, muitas multas nas primeiras semanas e, ademais, muita publicidade, o que é ótimo para as pessoas começarem a pensar na questão e nas suas atitudes. Mas por aqui, a gente ainda espera a regulamentação da lei e ninguém nunca foi sequer inibido a descartar seu resíduo em qualquer lugar. Aqui em Salvador, não saiu nenhuma informação.

Delícia curtir essa prainha no final de semana

Delícia curtir essa prainha no final de semana

É legal ver que tem gente que entende que a gestão do lixo é um sistema, um ciclo. Ver que POA passou a multar quem joga lixo no chão já dentro de uma lógica que, se estiver de fato adequada à PNRS, responsabiliza todos os entes envolvidos – cidadãos, empresas, gestores públicos – é um bom indicativo. É multar quem joga lixo no chão porque isso está de acordo com o Código Municipal de Limpeza Urbana. Multar quem joga lixo no chão, por si só, não é uma solução, tem que estar dentro de uma lógica de educação para a cidadania, de compreensão de cada um acerca da sua responsabilidade pelo seu resíduo.

Pois é, Salvador não teve essa legislação regulamentada e também não tem um Plano Municipal de Resíduos Sólidos. O prazo já acabou, era até agosto de 2012, mas como nunca dá tempo e o prazo é sempre apertado blablablá, há quase dois anos que o governo federal faz vistas grossas e esse Plano não sai. Agosto de 2014 é o prazo final para a implementação de todas as ações previstas no Plano.

Temos fé, hein, gente?

#SóQueNão

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Cadê o candidato a lixo que estava aqui? A gente vai comer.

Às vezes eu me pego repetindo um mantra: papai do céu, me dá uma grande ideia; papai do céu, me dá uma grande ideia, papai do céu, me dá uma grande ideia…

Meu dia vai chegar, mas, enquanto minha ideia brilhante está na incubadora do meu pensamento, vamos divulgar as grandes e inspiradoras ideias de pessoas por aí? Ou melhor, por aqui, por Salvador.

Olha que legal: dia 02 de abril vai ser lançada, na Feira de São Joaquim, a CooperFeira Novo Sabor, um empreendimento de economia solidária (acho lindo esse nome!) que tem como objetivo aproveitar os alimentos que seriam descartados pelos feirantes para produzir e comercializar alimentos por lá mesmo. O projeto é fomentado pela Avante, e tem mais informação aqui.

 

"Nada se perde, tudo se transforma", diz Remy. (mentira, quem diz é Jorge Drexler. Mas tá valendo)

“Nada se perde, tudo se transforma”, diz Remy.
(mentira, quem diz é Lavoisier. Mas tá valendo)

Esse tipo de ação não é novidade. E para você que torceu o nariz ao pensar nos alimentos que seriam descartados na Feira de São Joaquim e, blerg, eu que não comeria isso!, saiba que já tem gente *chique, bem* percebendo que não existe lixo, a gente é que tem desperdicite crônica – aproximadamente 40% dos alimentos são jogados no lixo. O Movimento Slow Food promoveu em novembro do ano passado, no restaurante Dalva e Dito, do chef Alex Atala, o que eles chamam de Disco Xepa e transformou 80 quilos de alimentos que iriam para o lixo em feiras livres em um jantar phyno para 350 pessoas. O cardápio foi ratatouille e penne com legumes. Remy, ali em cima, disse que estava tudo très bien.

 

Nham, nham, nham.

Nham, nham, nham.

A julgar pelo que se vende na Feira de São Joaquim aposto que o cardápio vai ser, em bom baianês, de lenhar. E além da comida, ganhamos com a limpeza e organização do ambiente na Feira quando você vai tirando aqueles resíduos do caminho… No projeto do Slow Food não ficou nadinha, até as sobras da comida feita com as sobras foi transformada em compotas e chutneys. Na nossa Feira de São Joaquim, quem sabe não podemos pensar em compostagem, adubos e a cidade como um ciclo vivo e sustentável?

Sabe aquela boa ideia que falamos lá em cima?

Quem sabe…?

Cidadanize-se!

Treinamento Catadores

Imagina depois da Copa

Bordão máximo do Brasil para 2014, “Imagina na Copa” começou sendo usado por pessimistas crônicos, aí foi apropriado e ressignificado por um movimento muito legal, o Imagina na Copa. Acabei de descobrir que, argh!, virou música sertaneja – que não ouvi -, e eu queria usar assim, sem conotação nenhuma, apenas como uma projeção sem expectativas para o futuro: imagina como vai ser a coleta e destinação de resíduos na copa.

Veja bem, não estou entrando no mérito da questão #NãoVaiTerCopa, ou, para alguns, #VaiTerCopa. Estou assumindo que, faça chuva ou faça sol (ou faça grito, tiro [de bala de borracha], porrada e bomba [de gás lacrimogênio]), vai haver Copa, e que o tal do legado… Bom, como o tal legado não está mostrando as caras, nos resta identificar prós e contras de toda essa experiência para agirmos no futuro – e isso vale, bato sempre na tecla, para analisarmos a democracia que temos e a democracia que queremos.

E então voltamos ao tema dessa redação: a reciclagem e a Copa.

Há uns dias fui, aqui em Salvador, à apresentação para a imprensa do treinamento que a Coca-Cola vai oferecer aos catadores que participarão da separação e destinação dos resíduos nos estádios das cidades-sede. Era um grupo de, aproximadamente, 50 catadores. Foram apresentadas as lixeiras para coleta seletiva (são duas: uma verde para resíduos recicláveis e a outra cinza para não recicláveis, ambas produzidas em PET reciclado) das áreas dos torcedores, as lixeiras das áreas administrativas e outras áreas internas (em papelão), o fardamento dos catadores e o modus operandi antes, durante e depois dos jogos.

Treinamento catadores 2

Eu vou ensinar como é que se faz.

Os catadores estavam animados, aplaudindo e interagindo. A apoteose foi quando entrou o Fuleco – a algazarra foi geral, música e palmas. Victor Bicca, diretor de Comunicação, Assuntos Governamentais e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil para a Copa e presidente da Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), entrou para fazer as honras. A primeira pergunta de Bicca para os animados catadores presentes foi: “Quem aqui participou da Copa das Confederações?” (…) Cri, cri, cri, cri… Nenhum. Curioso.

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Fuleco, a gente não quer uma Copa fuleira, hein? (piadinha infame)

Conversei com Bicca para entender como está sendo o processo. Bicca contou para a gente que as cooperativas escolhidas para participar foram fruto de uma parceria entre a Coca-Cola e o MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis), que indicou as cooperativas participantes. Os materiais, após a coleta nos estádios, serão pesados e levados para o centro de triagem de uma cooperativa, onde serão separados e vendidos. A renda obtida será dividida entre as cooperativas. De acordo com Bicca, para a Coca-Cola é importante que as ações que acontecerão durante a Copa deixem boas sementes para o futuro.

João Paulo, representante do MNCR na Bahia, nos disse que a Copa das Confederações não foi feita em parceria com as cooperativas baianas – e sim com o que ele chama de “coopegatos” (empresas que contratam catadores e que fazem as vezes de cooperativa) -, por isso o silêncio quando Bicca perguntou se alguém havia participado no ano passado. “Questões políticas”, disse ele. Por outro lado, João Paulo afirmou que todo o processo com a Coca-Cola para a Copa tem sido feito de forma transparente. O projeto foi proposto pelo MNCR, que está acompanhando e coordenando a interlocução com as cooperativas, e as expectativas com são boas. A venda dos recicláveis será feita para as indústrias que já são parceiras e estão cadastradas na rede CataBahia. Tudo bonitinho e nos conformes.

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Catadores, os protagonistas são vocês.

Disso tudo, eu achei ótimo que, aparentemente, tudo está sendo feito dentro da perspectiva do Plano Nacional de Resíduos Sólidos: separação na fonte, inserção dos catadores, estímulo à economia local. Particularmente, acho ótimo que haja ações que destaquem, mostrem para a gente, para todo mundo, que reciclagem existe e que você tem que prestar atenção no que consome, onde descarta, como descarta. É responsabilidade de todos nós. O reconhecimento, a percepção de que houve separação dos materiais recicláveis por parte dos torcedores que foram aos estádios superou 50%, de acordo com a Coca-Cola, é isso é muito legal. Cada pessoa que veja a existência e se sensibilize com a questão da reciclagem é uma vitória.

 

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Aproveitei o ensejo e perguntei a Bicca sobre os PEVs que são uma parceria entre a Coca-Cola e a rede Walmart, e eram disponibilizados no supermercados Bompreço. Ele repetiu uma resposta que eu já recebi há uns dois anos da rede Walmart: estão sendo reavaliados e blablablá. Perguntado sobre o prazo para que voltem, ele disse que a Coca-Cola fica responsável pelo treinamento e apoio aos catadores e pela disponibilização do equipamento, e que o varejista é responsável pelo ponto. Não deu prazo. Isso seria legado: o soteropolitano voltar a ter disponíveis uma meia-dúzia de pontos de coleta retirados e ampliada a rede de PEVs.

 

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Como disse João Paulo, para a Copa, está tudo indo muito bem, para além da Copa, é uma outra história, uma outra análise. Como disse Bicca, a Coca-Cola, diferente da Fifa, quer deixar um legado. Do nosso lado, não queremos imaginar na Copa, queremos imaginar DEPOIS da Copa. Queremos o legado, Coca-Cola, e ver a sua participação no pós-Copa. Queremos que os anseios de Bicca, os de João Paulo e, mais que todos, os anseios dos cidadãos se concretizem: uma cidade que veja, entenda e faça a reciclagem no seu dia a dia.

Imagina depois da Copa?

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Os cães ladram

Apesar das diretrizes federais, constantes especialmente na Lei nº 11.445/07, no Decreto Federal nº 5.940 de 25 de outubro de 2006 e na Lei Federal nº 12.305/10 e de já terem sido aprovadas leis neste sentido, em âmbito municipal, como a Lei Municipal nº 4.456 de 09 de dezembro de 1991, que criou a obrigatoriedade das escolas públicas procederem à coleta seletiva de lixo ou a Lei Municipal nº 4.783 de 02 de setembro de 1993, que obriga as repartições da administração pública procederem à coleta seletiva, nenhuma ação para garantir a execução das leis municipais foi realizada até os dias de hoje.*

Essa frase, dura e crítica assim, não é minha. Ela está na página 92 do Plano Básico de Limpeza Urbana de Salvador, datado de junho de 2012. Em seguida o documento lista as recomendações feitas pelo Ministério Público com relação à gestão dos resíduos sólidos na cidade. As recomendações vão da redução da quantidade de resíduos destinados ao aterro até a ampliação dos pontos de coleta seletiva, passando pelo fortalecimento dos catadores. Nada que a gente não soubesse que tem que ser feito. Nada foi implantado até hoje.

É isso que se vê, desde antes e até hoje. (Foto: Almiro Lopes, Jornal Correio*)

É isso que se vê, desde antes e até hoje. (Foto: Almiro Lopes, Jornal Correio*)

No sábado, 04 de janeiro, saiu uma notinha no Jornal A Tarde informando que o prefeito ACM Neto adiou para 2015 o vigor da lei 8.473/13, que prevê alterações na cobrança do IPTU da cidade de Salvador. O que a lei do IPTU tem a ver com a gente é que a dita cuja prevê a suspensão da coleta pela prefeitura nos estabelecimentos que produzem mais de 300 litros diários de resíduos, os chamados grandes geradores.

Oi, atende o meu pedido, por favor?

Oi, atende o meu pedido, por favor?

Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a gente já disse e repete, tu te tornas eternamente responsável pelo resíduo que produzes. A gente, que gera apenas 1 quilinho de resíduo domiciliar – por dia e por pessoa! -, não tem obrigação de montar um esquema de coleta, mas a nossa obrigação só acaba com a destinação correta do lixo – e podemos ter que pagar taxas e etc.  Já os grandes geradores têm duas opções, ou se organizam e assumem a responsabilidade pelo que se chama ciclo de vida do produto, ou pagam taxas à prefeitura para que ela colete. É a legislação municipal que define até onde vão estas responsabilidades e, apesar de isto ainda não estar descrito no ainda não aprovado e publicado Plano Municipal de Resíduos Sólidos, a prefeitura já disse que cada um que cuide do seu resíduo aí nessa lei do IPTU.

Muito bem, prefeitura de Salvador. Aplausos.

Mas aí, pessoal, adia-se em um ano – repetindo: UM ANO – a implementação dessa parte da lei (sim, o resto da lei está em vigor e logo logo veremos em quanto estará nosso IPTU). Ora, sou contra qualquer adiamento de prazo para adequação a leis. Como assim não teve tempo, Bial? Nunca temos tempo. Nunca ninguém tem tempo. Eu mesma estou escrevendo esta postagem sem ter tempo algum. E, mesmo que tivesse, veja bem, eu não teria tempo.

Três meses não é tempo suficiente para articular, cotar e contratar coleta de resíduos no serviço privado? Ora!

Esperemos as cenas dos próximos capítulos: no final de 2014, às vésperas da lei prorrogada por um ano – repito: UM ANO – entrar em vigor, todo mundo correndo de novo desesperado alegando que, sei lá, carnaval em março, Copa e Brasil campeão do mundo 2014, pê pê pê caixa de fósforo, não deu tempo de novo.

Os cães ladram e a caravana passa. Segura essa caravana aí!

Au au para vocês.

 

*A título de informação, a Lei 11.445/07 é a Lei Federal de Saneamento Básico, o Decreto Federal nº 5.940/o6 institui a separação dos resíduos em órgãos públicos e a 12.305/10 é a nossa velha conhecida Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).